Vítimas terão melhor resposta nos hospitais com reforma das urgências

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CODU

O secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro, assegurou que as vítimas dos acidentes rodoviários terão uma melhor resposta nos hospitais com a reforma em curso das urgências, mas admitiu que os recursos humanos serão a maior dificuldade. A Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT) defendeu a criação de uma rede de centros de trauma, unidades com médicos de várias especialidades em hospitais centrais, para receber as vítimas dos acidentes rodoviários, considerando que diminuiriam o número de mortos.

Em entrevista à Rodovida, folheto da SPOT que será divulgado na próxima semana, e a que a Lusa teve ontem acesso, Manuel Pizarro afirmou que "a prossecução da reforma da rede de urgências cria a infra-estrutura necessária para que essa organização mais sistemática da resposta ao trauma venha a ser aprofundada".
O presidente da SPOT, Jacinto Monteiro, disse à Agência Lusa que em Portugal deveria existir "um centro de trauma para cada milhão e meio de habitantes".
Manuel Pizarro afirmou que, com a rede de Serviços de Urgência Polivalente (SUP), o país estará a "caminhar nessa direcção".
"Estamos a desenvolver serviços desse tipo em Faro, Évora, Viseu, Vila Real e Braga, aos quais se juntarão os centros urbanos de Lisboa, Coimbra e Porto, onde existe mais do que um SUP, mas que devem funcionar de modo articulado", sustentou.
Segundo o secretário de Estado, o desenvolvimento desses serviços é um processo continuado e a sua capacidade de resposta só será "cabal depois de um conjunto de melhorias que estão ainda em curso".
"A maior dificuldade será, no entanto, no plano dos recursos humanos e, sobretudo, na resposta ao neuro-trauma", sublinhou.
O governante lembrou que os Serviços de Urgência Polivalente constituem eixos centrais na área do trauma e que o país está a realizar um "esforço imenso na organização da rede de urgências", que inclui a construção ou remodelação de instalações físicas, a aquisição de equipamentos, a formação de profissionais, sobretudo para os Serviços de Urgência Básica, e o alargamento dos meios de socorro pré-hospitalar.
Questionado pela Rodovida sobre que intervenientes deveriam integrar uma rede de referenciação do trauma e de que forma se deveriam relacionar, o governante afirmou que esta rede tem que contar com a participação decisiva dos serviços do Ministério da Saúde.
Na primeira linha estão o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e as instituições com que colabora no quadro do Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) e a rede de urgências, tal como os hospitais que as organizam, especificou.
Manuel Pizarro salientou, também, o papel das forças de segurança e da Protecção Civil nesta rede e defendeu que as organizações profissionais e as sociedades científicas devem ser chamadas a "uma intervenção mais activa".
Para o governante, a colaboração com as sociedades científicas pode ajudar a colmatar uma das principais carências de ter informação sistematizada que permita avaliar o trabalho realizado.
"Temos um bom registo da nossa capacidade de resposta, mas precisamos de saber mais sobre a qualidade dessa resposta e sobre os ganhos em saúde que dela resultaram", explicou.
Um dos argumentos da SPOT é que, hoje em dia, as vítimas dos acidentes de viação, mesmo os casos de politraumatismo, não são devidamente encaminhadas, muitas vezes indo para hospitais que não têm os recursos humanos especializados, equipas multidisciplinares e os equipamentos necessários.
O secretário de Estado da Saúde admitiu que isso poderá acontecer ainda nalgumas situações, mas chamou a atenção de que todos os casos são orientados pelos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) sob responsabilidade de um médico.
"Os resultados têm vindo a melhorar muito. Isso é algo que eu, como profissional, e não apenas como responsável político, posso testemunhar", assegurou.
Para Manuel Pizarro, as mortes nas estradas continuam a ser um flagelo, mas valorizou "o caminho percorrido e os excelentes resultados alcançados" na redução do número de mortes em acidentes de viação, que baixou de 1.150 em 2004 para 772 em 2008.
Para estes resultados contribuem muitos factores exteriores ao sistema de saúde, como a melhoria da rede viária, incremento da segurança dos veículos, aumento da intervenção das forças de segurança e comportamento mais adequado dos condutores, referiu.
"Mas a melhoria da resposta do sistema de emergência pré-hospitalar e dos nossos serviços de urgência também merecem ser realçados", acrescentou.

Fonte: Jornal Bombeiros de Portugal

 


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