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Construção da Casa de Repouso do Bombeiro continua na linha da frente. A homenagem ao bombeiro centenário Henrique Amaro foi uma das iniciativas mais recentes da associação Reviver Mais. Desde que foi criada, em Abril de 2002, esta entidade tudo tem feito para alargar a todos os bombeiros e suas famílias acções de apoio e protecção. A Reviver Mais quer servir cada vez mais e melhor todo o universo a que se destina, e é na construção da Casa do Bombeiro que a associação tem vindo a aplicar todos os seus esforços. |
Fundada a 13 Abril de 2002 e com sede no quartel da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas, a associação Reviver Mais dedica o seu dia-a-dia à protecção dos grupos mais vulneráveis, nomeadamente idosos e pessoas com deficiência, um apoio que se estende ainda a crianças, jovens e suas famílias, com o objectivo primeiro de representar e congregar todos os seus sócios na defesa e valorização dos valores humanitários e da solidariedade.
Para além destas tarefas, as forças dos dirigentes da associação são também aplicadas na promoção de actividades de animação cultural, tendo em vista a ocupação de tempos livres e o lazer, ao mesmo tempo que aposta na criação de espaços físicos para acolhimento dos sócios que manifestem carências sociais e económicas. Aos mais velhos, a Reviver Mais dedica especial atenção, criando e mantendo actividades ligadas a lares de idosos, unidades de cuidados continuados, serviços de apoio domiciliário, centros de dia, creches e centros de acolhimento.
No fundo, está em causa a promoção, o auxílio mútuo e a defesa dos legítimos interesses dos seus sócios, à luz da dignidade humana, tendo por objectivos a protecção e a assistência na velhice e invalidez. E porque estes caminhos de solidariedade e entreajuda não se percorrem sozinhos, sob pena de não cumprirem os objectivos inicialmente traçados, a Reviver Mais tem vindo desde a sua criação a cooperar com entidades públicas e privadas, nomeadamente as estruturas ligadas ao sector dos bombeiros, no sentido de encontrar e implementar medidas de assistência social destinadas aos muitos casos de carência económica dos sócios, ou de recompensar aqueles que se tenham distinguido por relevantes actos ou feitos praticados na área do socorro público.
Durante os seus oito anos de existência, a Reviver Mais conta já com um número ilimitado de sócios. E sócios da associação podem ser todos os elementos pertencentes aos quadros de honra dos corpos de bombeiros associativos, municipais e privativos, e ainda os elementos oriundos dos corpos de bombeiros sapadores que estejam aposentados.
Mas desengane-se quem pensa que esta associação apenas vive dos mais antigos e para os mais antigos, porque o estatuto de sócio estende-se igualmente a todos os bombeiros no activo, seja qual for a origem. As portas estão igualmente abertas para ex-bombeiros que não tenham sido demitidos por motivos disciplinares e para todos os elementos dos órgãos sociais que exerçam ou tenham exercido funções em associações ou entidades detentoras de corpos de bombeiros.
Em declarações ao "Bombeiros de Portugal", o presidente da Reviver Mais, José Manuel Lourenço Baptista, reconhece que há um caminho prioritário a percorrer que contrarie a "errada e quase generalizada convicção" de que a base social da Reviver Mais é exclusivamente os elementos dos quadros de honra e outros aposentados. "Temos inclusivamente ouvido vozes responsáveis, que não deixam de ser bem intencionadas, dizer que a Reviver Mais é uma associação para 'velhotes', o que não é, nem de perto nem de longe, verdade à luz dos nossos estatutos". Acrescenta Lourenço Baptista que esta leitura até se compreende, já que, quando foi fundada, a filosofia social da Reviver Mais não era tão abrangente como agora, depois de ter obtido os estatutos de instituição particular de solidariedade social (IPSS) e de pessoa colectiva de utilidade pública. Equiparada a IPSS, a Reviver Mais teve obrigatoriamente de absorver requisitos de maior abertura à sociedade em geral.
Casa de Repouso do Bombeiro é o grande desígnio
Apesar das contrariedades que tem enfrentado, a Reviver Mais assume que "não desiste" do projecto de construção da Casa de Repouso do Bombeiro, e é nele que continua a concentrar as suas principais forças. Para isso, conta já com um terreno cedido pela Câmara Municipal de Almada e um projecto de arquitectura, da autoria do arquitecto António Janeiro, que foi já objecto de aprovação pela respectiva edilidade.
"Neste grande objectivo, temos estado de mãos dadas com a Liga dos Bombeiros Portugueses, de modo a ampliarmos o espírito e as vertentes práticas do protocolo existente, consubstanciado numa frente tripartida constituída pela Confederação, a Reviver Mais e a Associação dos Bombeiros Ultramarinos (NABUL)", acrescenta o dirigente.
Outro projecto de trabalho a merecer empenho especial é a criação de um serviço específico de acção social. A ideia passa por, enquanto não existirem instalações próprias, estabelecer protocolos com entidades ligadas aos bombeiros e outras com idênticas afinidades sociais, e de dimensão nacional, promovendo junto delas, e nas respectivas áreas geográficas, internamentos em lares, unidades de cuidados continuados, serviços de apoio domiciliário, cuidados paliativos, centros de dia, creches e centros de acolhimento.
Também aqui, diz Lourenço Baptista, a Liga dos Bombeiros Portugueses é o nosso "parceiro natural e preferencial", até porque este projecto será sempre objecto de "adequada e íntima articulação" com o Fundo de Protecção Social do Bombeiro.
Já sobre a Casa de Repouso do Bombeiro, após as excelentes perspectivas criadas a partir do protocolo celebrado com a Liga dos Bombeiros Portugueses em Abril de 2006, verificou-se um conjunto de factores que têm contrariado este anseio. Mas afinal o que tem travado o processo?José Manuel Lourenço Batista conta: "Estava tudo a correr bem, quando fomos confrontados com a inesperada alteração do disposto na Lei do Estatuto Social do Bombeiro, em cuja nova versão foi eliminada a competência que o Estado conferia até ali à LBP para a promoção da criação da Casa de Repouso do Bombeiro, incluindo uma comparticipação financeira,. Mais tarde, houve falta de receptividade do então secretário de Estado da Protecção Civil em clarificar a posição do Governo relativamente ao artigo 47.º do Decreto-Lei 241/2007, o qual, ao invés da revogada Lei 21/87, passou a comportar um completo vazio quanto ao destinatário dos apoios ali previstos". Acrescenta Lourenço Baptista que a Reviver Mais, convencida de que obteria a desejada e necessária ajuda do Governo no financiamento da construção, avançou com uma candidatura para o estatuto de IPSS, já que, lembra o responsável, "a disponibilidade e a prometida ajuda do antigo responsável, José Manuel Medeiros, e do seu homólogo do Trabalho e da Solidariedade, dependiam da obtenção deste mesmo estatuto. Lamentavelmente, o processo da classificação da Reviver Mais como IPSS prolongou-se durante um ano no Centro Distrital da Segurança Social de Setúbal, vindo a culminar com a competente declaração oficial da Direcção-Geral da Segurança Social apenas em Fevereiro último. Nessa altura, os referidos secretários de estado já eram outros, e perdermos por isso os interlocutores iniciais. Voltámos a ficar de mãos vazias".
Mesmo assim, o esforço da Reviver Mais continua. Uma vez mais com o apoio da Liga dos Bombeiros Portugueses, a associação reuniu no passado mês de Junho com o presidente do Instituto de Segurança Social. Apesar da sensibilidade para o assunto por este demonstrada, até agora não houve qualquer resposta.
Quinhentos sócios até Dezembro
No princípio deste ano, a Reviver Mais ultrapassou a barreira dos 400 sócios. Nos últimos meses, segundo o presidente, a associação tem vindo a contabilizar uma "agradável cadência" na inscrição de novos associados, mercê da excelente actividade desenvolvida pelos delegados distritais e, também, como resultado das iniciativas de carácter cultural e recreativo que têm vindo a ser desenvolvidas. Destaque para o 4º. Encontro da Solidariedade, a ter lugar nos dias 20 e 21 do corrente mês de Novembro, com concentração no Inatel da Foz do Arelho.
Texto: Patrícia Cerdeira
Foto: Marques Valentim
Fonte: Jornal Bombeiros de Portugal
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