Mafra reduziu em 90 por cento área ardida

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Cinco anos depois dos incêndios ocorridos em Mafra e que atingiram a Tapada Nacional, está em funcionamento um sistema de prevenção e detecção que fez baixar, em mais de 90 por cento, a área ardida nos últimos anos.
O sistema municipal de prevenção, vigilância, detecção e de comunicações, construído após os incêndios de 2003, levou a que em 2006 tenham ardido 55 hectares de floresta e mato e, em 2007, 12,4, quando a média dos últimos oito anos tinha sido de 713 hectares.

Em 2008, desde Julho arderam apenas 12,03 hectares, disse à Lusa fonte da protecção civil de Mafra, acrescentando que para estes números também contribuíram as condições atmosféricas favoráveis.
Os números agora apresentados contrastam com os mais de cinco mil hectares de floresta que arderam em quatro dias de Setembro de 2003, entre os quais 984 hectares pertencentes à Tapada Nacional de Mafra (inclui a Tapada Real e Militar), destruindo o habitat e animais daquela área natural.
Ficaram ainda destruídas as habitações de quatro famílias.
Hoje, "está tudo resolvido", assegurou à Lusa o presidente da Câmara, Ministro dos Santos.
"A Tapada foi recuperada com um projecto comunitário de reflorestação, os prejuízos dos privados foram resolvidos pelo Ministério da Agricultura e quanto às pessoas sem casa foi tudo reconstruído", afirmou o autarca.
"Gerou-se um cadeia de solidariedade com fundos dos privados e da câmara que permitiu resolver a situação" disse.
O presidente da Câmara, que após os incêndios prometeu tudo fazer para que "nunca mais" se repitam os dias em que o concelho foi invadido de chamas, fumo e bombeiros, já investiu, desde essa altura, na área da protecção civil 3,5 milhões de euros.
"Em 2003 os intervenientes actuavam separados uns dos outros, houve vários focos iniciais de incêndio e foram todos combater os mesmos", explicou Carlos Trindade, actual responsável técnico da protecção civil.
"Os outros incêndios que apareceram depois já ninguém conseguiu apagar porque não havia meios", disse.
A partir de 2006 foi criado um centro de coordenação com vigilância por todo o concelho que possibilitou que pequenas fogueiras e queimadas fossem rapidamente detectadas e apagadas.
"Uma das vertentes importantíssimas foi que passámos todos a ter um sistema de comunicações porque dantes ninguém conseguia falar com ninguém", lembrou.
O novo edifício da protecção civil, inaugurado em Dezembro passado, funciona como um quartel-general com central de comunicações, gabinete de planeamento, gabinete técnico florestal, heliporto, pode oferecer 70 refeições por hora e possui balneários, dormitório e geradores.
Na época considerada crítica são efectuados briefings diários que passam a semanais no Inverno.
Algumas viaturas dos bombeiros estão fora do quartel "pré-posicionadas" e fazem rotas em pontos estratégicos junto a áreas florestais.
Os bombeiros realizam acções de fogo controlado em terrenos privados e existem ainda no terreno militares e equipas de jovens e de sapadores florestais que actuam dentro e fora da Tapada de Mafra.
Ao nível da vigilância, da primeira intervenção e apoio ao combate, a Tapada de Mafra dispõe uma brigada de protecção florestal equipada com três veículos de combate.
Foi construído um "mosaico florestal" com a plantação em 250 hectares de folhosas para aumentar a biodiversidade e servir de barreira à progressão de incêndios.
"Podemos afirmar que pelas acções de gestão florestal implementadas, pelos equipamentos de combate que hoje temos e pela coordenação de meios a nível municipal, que estamos hoje bem melhor preparados para resistir ao drama dos incêndios florestais", disse à Lusa Ricardo Paiva, director da Tapada de Mafra.
"Só resta a lembrança e essa não se deve perder para não voltarmos a cair nos mesmos erros", concluiu o presidente da Câmara de Mafra.

Fonte: Liga dos Bombeiros Portugueses

 

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